quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Do fundo do meu coração, depois de tantas vezes te ver ir embora por aquela porta, na última, sinto que a esperança se foi com você.

Adriana Calcanhoto cantando Roberto

sábado, 18 de janeiro de 2014

Vontade de sair dançando pelas ruas, de madrugada, quando o som do vento é mais nítido e o holofote é luz da lua.

Vontade de sair dançando pelas ruas, rodopiando. Em piruetas, fouettés e chenés pra ver se, assim, a dor de alguma forma escapa de mim. Saia pela tangente e siga sem nunca mais voltar.

Vontade de sair dançando pelas ruas e, dançando, me esquecer de tudo. Dos sonhos que se foram, dos planos desfeitos, do amor que foi embora.

Vontade de sair dançando pelas ruas e assim me encontrar sentada em alguma esquina, com o rosto entre as mãos e com lágrimas nos olhos.

Falarei pra mim mesma: dance, menina, que a dor diminui. A dança é maneira que o corpo encontrou de aliviar a dor que alma suporta.
 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Palavras passam
Jogadas ao vento,
acompanham-no
onde quer que ele vá
Perdem-se no mundo
Espalham-se
Ganham novos sentidos

Ações fincam raízes
Que profundamente crescem
Ficam e não saem mais
Não se vão com a brisa que sopra
Não se calam com o tempo que vai

"Com o tempo ruim
Todo mundo também diz bom dia"
Então qual é a serventia
de uma palavra que não se faz?
 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Acalme-se,
O tempo não cura o amor, mas tem o poder de amenizar a dor.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Deixe a lâmpada acesa
Pois hoje, com certeza
Fez morada a tristeza
Em todo canto que há em mim

Foram muito mais de três
Mais do que podia, talvez
Com toda a insensatez
Que poderia causar a mim

Da primeira vez, chorei
Apesar disso, fiquei
Dos bons momentos lembrei
E os fiz maiores em mim

Da segunda e das outras
O pranto molhou a roupa
A dor se fez das gotas
A esperança foi-se de mim
(Foice em mim)

A derradeira chegou
Veio após tanta dor
Que feriu e me rasgou
e, por fim, transbordou em mim
Mal-me-quer
Quem sempre amei
Mal-me-quer acreditar
Bem-me-quer sofrer
Mal-me-quer amar
Bem-me-quer chorar

Despetalo-me em prantos

O amor que tenho só cabe a um
Que mal-me-quer
Acreditando que bem-quero a outro alguém
Se engana

Meu bem (querer) é de quem mal-me-quer ver
É de quem bem-me-quer distante

terça-feira, 23 de julho de 2013

Punhal


Tua fria lâmina se lança nos ares
Faz com que cantem os ventos canções de dor e agonia
Tua lâmina certeira corta a carne vermelha
De onde surge um rubro rio que faz cessar o que sofria

Liberta a alma do frágil corpo desesperançado
No meio daquilo que pulsa, faz um orifício
E deixa que a vida se vá e leve com ela todo o tormento
Vá, termine-me, execute seu sagrado ofício

Ao final de todo o feito
Crave sua lâmina na terra também vermelha
Que teu cabo seja a cruz de minha lápide
E impeça qualquer sombra de vida em minhas veias