terça-feira, 23 de julho de 2013

Punhal


Tua fria lâmina se lança nos ares
Faz com que cantem os ventos canções de dor e agonia
Tua lâmina certeira corta a carne vermelha
De onde surge um rubro rio que faz cessar o que sofria

Liberta a alma do frágil corpo desesperançado
No meio daquilo que pulsa, faz um orifício
E deixa que a vida se vá e leve com ela todo o tormento
Vá, termine-me, execute seu sagrado ofício

Ao final de todo o feito
Crave sua lâmina na terra também vermelha
Que teu cabo seja a cruz de minha lápide
E impeça qualquer sombra de vida em minhas veias

terça-feira, 9 de julho de 2013

Esse tal amor
Que se espalha por todo canto
Aquecendo corações em gelo
Seria o mesmo que magoa outros tantos?

Será que é amor

aquilo que se profere
no calor dos corpos
no encontro de peles?

O andar de mãos entrelaçadas
Levando a vida leve
Brincando nas calçadas?

O sorriso da criança
logo que o pote alcança
e começa a comilança?

A carta do menino
tão tímido e franzino
que a lê sempre sozinho?

O preparo de outra pessoa
E a mãe olhando a barriga a toa
Enquanto a felicidade ressoa?

Será que o amor pode ser tanto
Que se transforma em tantos
Calando e causando prantos
Calando e sonando em cantos?


Lanço-me
Braços abertos no precipício
Sem medo dos riscos

O peito corta o ar
E o vento acaricia o corpo
Chamariam-me louco,
por me sentir assim?

Intensamente vivo
Flertando com a morte
Até que ela me descobre
E a terra encobre

Tudo o que foi
e o que iria ser

Vivi
Não há o que temer