Entrelinhas exprimem o contrário do que se pretende. Suposições criam monstros que sufocam qualquer possibilidade de sopro vital. O corpo sinaliza a derrota. Boca seca, manchas pela pele, mãos trêmulas. Pusilanimidade. Aqui jaz a felicidade.
Espaço para libertar versos, textos ou pensamentos que, em outra hora, ficavam presos em mim. E que venha a liberdade!
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Elogio à loucura
A loucura que em mim habita
É mais sã que qualquer sanidade
Certeza de mutabilidade
De complexidade do ser
Ou logo após
A loucura que habita em mim
Grita!
E se cala...
Ama e pena
É luz e dor
A loucura que em mim habita
É puro desvario
Louca em si mesma
Rompe, transmuta
Conquista, se embriaga
Inebria e descobre
Descobre-se
A loucura que em mim habita
Gira insanamente
Em uma deliciosa coreografia
Suspensa no ar
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Aracnofobia
Saí
14 passos
Olhos no aracnídeo
Grande, preto, pernas compridas
Parei
Medo
Voltei
Olhos no pai
- Por que voltou?
- Tem uma aranha ali
- E daí?
- Tenho medo, não consigo.
- Que absurdo! Você vai passar.
- Não vou.
- Agora!
12 passos
Olhos na aranha
Parei
- Vai, Eduarda!
Corri
Olhos em um ponto fixo
Pra frente, sem desvios, linha reta
20 passos
Distância segura
Pernas bambas, mão suando, coração disparado
Olhos na aranha
Ela no mesmo lugar
Olhos no pai
- Viu?
Eu maior que o medo
Lição aprendidaAprendi nesse dia que os medos não podem ser tão grandes que nos impeçam de seguir adiante. Os monstros que criamos são sempre menores e, muitas vezes, nem são monstros. O medo não sumiu, mas o enfrentei. Meu pai me mostrou, ali, que eu era maior que ele, que eu era capaz de vencê-lo. Acho que nunca vou me esquecer desse episódio. Sempre que temo alguma coisa, me lembro disso. E vou correndo pro meu destino!
Fiquem aí com David Gilmour, da banda Pink Floyd, cantando: "Running over the same old ground. What have we found? The same old fears. Wish you were here". Sim, Gilmour, os medos são os mesmos... Mas não vou ficar parada diante deles, "com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar".
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Reabrindo as asas
Estou de volta. Pelo menos enquanto minha memória me fizer o favor de lembrar que esse blog existe e que, pra se manter vivo, precisa ser alimentado com palavras.
A postagem não é de uma poesia nova, mas ela representa bem esse momento de retomada e meus vôos diários, meu renascer no encontro, minhas asas abertas pra vida e pro amor.
Inspiração não mais contida
Palavras não silenciadas
Dança sem limites
Sem vergonha
O rosto ainda cora
Mas não paro
Prossigo
A verdadeira liberdade transborda
Minhas asas não voam sozinhas
A matéria de que são produzidas
É o amor
E o amor não é só
Compartilha
Vôo junto
Mais leve
Mais plena
Mais eu
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