Saí
14 passos
Olhos no aracnídeo
Grande, preto, pernas compridas
Parei
Medo
Voltei
Olhos no pai
- Por que voltou?
- Tem uma aranha ali
- E daí?
- Tenho medo, não consigo.
- Que absurdo! Você vai passar.
- Não vou.
- Agora!
12 passos
Olhos na aranha
Parei
- Vai, Eduarda!
Corri
Olhos em um ponto fixo
Pra frente, sem desvios, linha reta
20 passos
Distância segura
Pernas bambas, mão suando, coração disparado
Olhos na aranha
Ela no mesmo lugar
Olhos no pai
- Viu?
Eu maior que o medo
Lição aprendidaAprendi nesse dia que os medos não podem ser tão grandes que nos impeçam de seguir adiante. Os monstros que criamos são sempre menores e, muitas vezes, nem são monstros. O medo não sumiu, mas o enfrentei. Meu pai me mostrou, ali, que eu era maior que ele, que eu era capaz de vencê-lo. Acho que nunca vou me esquecer desse episódio. Sempre que temo alguma coisa, me lembro disso. E vou correndo pro meu destino!
Fiquem aí com David Gilmour, da banda Pink Floyd, cantando: "Running over the same old ground. What have we found? The same old fears. Wish you were here". Sim, Gilmour, os medos são os mesmos... Mas não vou ficar parada diante deles, "com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar".