segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Palavras passam
Jogadas ao vento,
acompanham-no
onde quer que ele vá
Perdem-se no mundo
Espalham-se
Ganham novos sentidos

Ações fincam raízes
Que profundamente crescem
Ficam e não saem mais
Não se vão com a brisa que sopra
Não se calam com o tempo que vai

"Com o tempo ruim
Todo mundo também diz bom dia"
Então qual é a serventia
de uma palavra que não se faz?
 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Acalme-se,
O tempo não cura o amor, mas tem o poder de amenizar a dor.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Deixe a lâmpada acesa
Pois hoje, com certeza
Fez morada a tristeza
Em todo canto que há em mim

Foram muito mais de três
Mais do que podia, talvez
Com toda a insensatez
Que poderia causar a mim

Da primeira vez, chorei
Apesar disso, fiquei
Dos bons momentos lembrei
E os fiz maiores em mim

Da segunda e das outras
O pranto molhou a roupa
A dor se fez das gotas
A esperança foi-se de mim
(Foice em mim)

A derradeira chegou
Veio após tanta dor
Que feriu e me rasgou
e, por fim, transbordou em mim
Mal-me-quer
Quem sempre amei
Mal-me-quer acreditar
Bem-me-quer sofrer
Mal-me-quer amar
Bem-me-quer chorar

Despetalo-me em prantos

O amor que tenho só cabe a um
Que mal-me-quer
Acreditando que bem-quero a outro alguém
Se engana

Meu bem (querer) é de quem mal-me-quer ver
É de quem bem-me-quer distante

terça-feira, 23 de julho de 2013

Punhal


Tua fria lâmina se lança nos ares
Faz com que cantem os ventos canções de dor e agonia
Tua lâmina certeira corta a carne vermelha
De onde surge um rubro rio que faz cessar o que sofria

Liberta a alma do frágil corpo desesperançado
No meio daquilo que pulsa, faz um orifício
E deixa que a vida se vá e leve com ela todo o tormento
Vá, termine-me, execute seu sagrado ofício

Ao final de todo o feito
Crave sua lâmina na terra também vermelha
Que teu cabo seja a cruz de minha lápide
E impeça qualquer sombra de vida em minhas veias

terça-feira, 9 de julho de 2013

Esse tal amor
Que se espalha por todo canto
Aquecendo corações em gelo
Seria o mesmo que magoa outros tantos?

Será que é amor

aquilo que se profere
no calor dos corpos
no encontro de peles?

O andar de mãos entrelaçadas
Levando a vida leve
Brincando nas calçadas?

O sorriso da criança
logo que o pote alcança
e começa a comilança?

A carta do menino
tão tímido e franzino
que a lê sempre sozinho?

O preparo de outra pessoa
E a mãe olhando a barriga a toa
Enquanto a felicidade ressoa?

Será que o amor pode ser tanto
Que se transforma em tantos
Calando e causando prantos
Calando e sonando em cantos?


Lanço-me
Braços abertos no precipício
Sem medo dos riscos

O peito corta o ar
E o vento acaricia o corpo
Chamariam-me louco,
por me sentir assim?

Intensamente vivo
Flertando com a morte
Até que ela me descobre
E a terra encobre

Tudo o que foi
e o que iria ser

Vivi
Não há o que temer