terça-feira, 9 de julho de 2013

Esse tal amor
Que se espalha por todo canto
Aquecendo corações em gelo
Seria o mesmo que magoa outros tantos?

Será que é amor

aquilo que se profere
no calor dos corpos
no encontro de peles?

O andar de mãos entrelaçadas
Levando a vida leve
Brincando nas calçadas?

O sorriso da criança
logo que o pote alcança
e começa a comilança?

A carta do menino
tão tímido e franzino
que a lê sempre sozinho?

O preparo de outra pessoa
E a mãe olhando a barriga a toa
Enquanto a felicidade ressoa?

Será que o amor pode ser tanto
Que se transforma em tantos
Calando e causando prantos
Calando e sonando em cantos?


Lanço-me
Braços abertos no precipício
Sem medo dos riscos

O peito corta o ar
E o vento acaricia o corpo
Chamariam-me louco,
por me sentir assim?

Intensamente vivo
Flertando com a morte
Até que ela me descobre
E a terra encobre

Tudo o que foi
e o que iria ser

Vivi
Não há o que temer

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Barulheira
Britadeira
Batedeira
Liquidificador
Máquina de lavar
Máquina de cortar grama
Músicas que não gosto
Repetição
Barulho
Barulho
Barulho
Em alto e mau som

Desejo com toda minh'alma
A sinfonia de silêncio que Milton cantou
Ouvir com os olhos e com aquilo que pulsa sem cessar
Cercar-me só dos sons que agregam
Livrar-me dos que nada dizem
Dar descanso aos ouvidos e me encher de luz
Até que transborde de paz



sexta-feira, 17 de maio de 2013

A paixão chegou através de outra
Arrebatou meu coração com o que sempre amei
Dancei
Dançamos
No coreto da praça
Na chuva
Em casa
Pelas ruas
Em par
Entramos no mesmo ritmo
Nossos corações se cantam,
se dançam,
se desafiam na coreografia

Se encantaram
Dançaremos, então,
até que se despeçam todos os sons

Enquanto houver melodia
Seja de jazz, chuva ou ventania
Dançarei em sua companhia

Então, grite
Nada do que que há vai calar sua voz
Ainda que ninguém ouça

Grite
Aos quatro ventos o que sente
O que pretende
O que passou

Deixe passar

Deixe o coração gritar
Tudo aquilo o que a boca não ousa dizer num sussurro

terça-feira, 7 de maio de 2013

Insuportável

Não suporto
Não consigo entender
Esse medo de viver
Essa vida pela metade
Essa vida que não é
É sobrevivência e só...

Não suporto
Essas palavras caladas
Não ditas
Escondidas
Engolidas
Que ficam sempre por dizer

Não suporto
Esses caminhos certos
Retos
Cheios de rotina
Com cores que não destacam
Desesperam

Não suporto
Esses corações puros
Tão cheios de si
E vazios de outros
Coração é pra ser povoado!
Será que não entendem?

No olho do furacão

"The aswer is blowing in the wind"
Sim
E eu no olho do furacão

As respostas podem ser todas
Inúmeras possibilidades
A correta?
Não sei
Existe?
Todas vagueiam, rodopiam em torno do eu

Tornado

Retorna, revira meu mundo
Confusão
Todos os sentimentos juntos
Todos eu
E eu no olho do furacão